|
|
.: Conheça o site da Editora .: |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
METADES CLÂNICAS |
|
Juracilda Veiga
Antropóloga
 |
os Kaingang, ao contrário dos Kayapó, por exemplo, não admitem a existência de mais de um genitor. Ter a paternidade reconhecida é fundamental para se adquirir um nome Kaingang e um lugar social. O nominador, antes de dar um nome, perguntará a que metade e seção pertence o pai da criança, de modo que possa escolher um nome apropriado (Ver adiante Sistema de Nominação). Posteriormente, quando se realiza uma cerimônia do Kiki, a criança acompanhará a metade do seu pai. De modo geral, os membros de uma mesma metade são referidos pelos Kaingang como kaitkõ (parente, primo), em oposição a iambré (cunhado), como são referidos genericamente os membros da metade oposta. |
|
|
KAMÉ |
Kairu |
Kamé |
Votor |
Wonhétky |
|
|
As metades são homônimas dos heróis míticos, conforme relata Nimuendaju: "a tradição dos Kaingang conta que os primeiros desta nação saíram do chão (...) Saíram em dois grupos, chefiados por dois irmãos por nome Kañerú e Kamé, sendo que aquele saiu primeiro. Cada um já trouxe um número de gente de ambos os sexos. Dizem que Kañerú e sua gente toda eram de corpo fino, peludo, pés pequenos, ligeiros tanto nos seus movimentos como nas suas resoluções, cheios de iniciativa, mas de pouca persistência. Kamé e os seus companheiros, ao contrário, eram de corpo grosso, pés grandes, e vagarosos nos seus movimentos e resoluções" (Nimuendaju [1913] 1993:58-9). Se aos Kañerú cabia iniciar o combate eram os Kamé que davam conta da guerra, sustentando a luta. Os seres e objetos do mundo natural estão relacionados a essas metades, conforme a aparência que tenham para os Kaingang os objetos, coisas e animais: se são redondos (proporcionalmente semelhantes nas suas dimensões |
|
|
|
|
|
|
|
|